Post 01 - Ansiedade

Será que tudo que sinto “é só” ansiedade?

No consultório, essa é uma das perguntas que mais escuto. Muitos pacientes chegam dizendo coisas como:

  • “Meu coração dispara do nada e penso que vou morrer.”
  • “Já fui parar na emergência achando que estava tendo um ataque cardíaco.”
  • “Estou tranquila e, do nada, sinto um medo que me impede de sair de casa.”
  • “Acordo no meio da noite pensando no que pode dar errado e não consigo voltar a dormir.”

Esses sentimentos são reais e merecem atenção. A ansiedade faz parte da vida — todos nós sentimos em algum momento. Mas quando ela passa dos limites, pode causar sofrimento e atrapalhar nosso dia a dia. Por isso, vamos entender juntos: o que é ansiedade normal e quando ela vira um transtorno?


Quando a ansiedade deixa de ser saudável

Gosto de explicar que a ansiedade funciona como um espectro. Em um extremo, temos reações naturais e até úteis, como se preparar para uma entrevista ou sentir expectativa antes de um casamento. Isso nos ajuda a nos proteger e agir.

Mas, quando esse sistema começa a reagir de forma exagerada, interpretando situações comuns como perigosas, surge a ansiedade patológica. É como se a mente vivesse em alerta máximo, mesmo sem risco real. Esse estado constante de “perigo” é o que chamamos de transtorno de ansiedade.


Como identificar sinais de ansiedade desregulada

A ansiedade pode se manifestar de várias formas:

Físicos

  • Coração acelerado
  • Falta de ar
  • Tensão muscular
  • Tremores
  • Suor excessivo
  • Desconforto no estômago

Emocionais

  • Angústia
  • Sensação de que algo ruim vai acontecer
  • Medo sem motivo claro
  • Irritabilidade

Comportamentais

  • Evitar situações
  • Procrastinar
  • Isolamento
  • Controle exagerado

Cognitivos

  • Pensamentos acelerados
  • Preocupação excessiva
  • Dificuldade de concentração
  • Foco exagerado nos problemas

Se você se identifica com vários desses sinais e eles atrapalham sua rotina, é hora de buscar ajuda.


Vivemos uma epidemia de ansiedade?

Infelizmente, sim. A pandemia de COVID-19 foi um marco: segundo a OMS, casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25% só no primeiro ano. O isolamento, as perdas e o medo deixaram marcas profundas. E mesmo depois, seguimos enfrentando instabilidade econômica, social e tecnológica — tudo isso alimenta a mente ansiosa.

Nosso cérebro, diante da imprevisibilidade, ativa um estado de alerta constante. É como se estivéssemos sempre prontos para reagir a uma ameaça que nunca chega. Esse mecanismo, embora protetor, cobra um preço alto.


A boa notícia: ansiedade tem tratamento

O primeiro passo é entender que ansiedade não é fraqueza. É uma resposta do corpo e da mente ao ambiente. E existem estratégias eficazes para lidar com ela:

  • Mindfulness e meditação: ajudam a reduzir o estresse e trazer equilíbrio.
  • Relacionamentos saudáveis: conexões significativas fortalecem a resiliência.
  • Rotina consistente: dá sensação de controle e segurança.
  • Autoconhecimento: reconhecer emoções é essencial.
  • Ajuda profissional: psicoterapia e, quando necessário, medicação podem transformar vidas.

Conclusão

A ansiedade faz parte do nosso sistema de proteção e pode se manifestar de diferentes maneiras. No entanto, quando os sintomas começam a gerar sofrimento e limitar o cotidiano, é fundamental reconhecer a necessidade de buscar apoio. O tratamento é sempre individual e pode incluir diversas estratégias que contribuem para uma vida mais equilibrada e com maior bem-estar.

Se você se identificou com essas situações — ou conhece alguém que esteja enfrentando algo semelhante — lembre-se de que a ajuda profissional pode ser decisiva para transformar a forma como a ansiedade é vivida e administrada.

Referências: 

  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. (2022).
  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 (5. ed.). Porto Alegre: Artmed.

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Dra. Ludmila Borges

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